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Jerusalém #02 – Muro das Lamentações

Se tivéssemos que pensar em um ícone de Jerusalém, não poderíamos deixar de lembrar do Muro das Lamentações. O Muro, considerado o atual local mais sagrado para os judeus, fica localizado na parte ocidental da Antiga Jerusalém e representa extrema importância para a história e fé judaica. Para entender melhor a sua relevância, vamos mergulhar no tempo e na história de Israel.

Western Wall = Muro das Lamentações

No século X a.C. , Salomão construiu, sob o Monte do Templo, o Primeiro Templo (Templo de Salomão), local onde era realizado o culto central a Yahweh (Javé), o Deus de Israel. Era nele onde ficava a Arca da Aliança, na qual objetos sagrados como as Tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Arão e um vaso do Maná eram guardados. Esses objetos representavam a aliança de Deus com o povo de Israel e a Arca, a própria presença de Deus. Porém, em 586 a.C., o Templo de Salomão é totalmente destruído pelos babilônios.

Em 538 a.C., um ano após a queda do Império Babilônico, é iniciada a construção do Segundo Templo, sob o mesmo local onde se localizara as o Primeiro Templo. Por volta de 20 a.C. a construção foi reformada e ampliada por Herodes, o Grande e passou a ser conhecida como Templo de Herodes. Mais tarde,  ainda sob domínio romano, eclode a Grande Revolta Judaica. Em reação, no ano de 70 d.C., o Império Romano destrói completamente o Segundo Templo, remanescendo apenas uma de suas muralhas externas: o Muro das Lamentações.

Muro das Lamentações

Maquete do Templo de Herodes e Jerusalém Antiga – Museu de Israel

Segundo os judeus, a razão de restar ainda uma parte em pé é explicada devido a uma promessa de Deus que, como representação do elo com esse povo, lhes garantiu a resistência pelo menos parte da construção do complexo do Templo.

Orações no Muro das Lamentações

Durante o período de domínio bizantino (324-636), os judeus eram proibidos de ir ao Muro, com exceção de um dia ao ano (Tishá be Av), quando podiam chorar pelo Templo destruído. Daí o nome Muro das Lamentações.

No século sétimo, os muçulmanos conquistaram Jerusalém e, em 691, construíram o Domo da Rocha no local onde estavam os Templos, antes de suas destruições. No mesmo período, também foi construída a Mesquita de Al-Aqsa, também em área correspondente a que estiveram os Templos. Essa área é conhecida como Esplanada das Mesquitas seu o acesso  não é permitido aos judeus (o Muro das Lamentações está fora desse perímetro).

Muro das Lamentações, Domo da Rocha (esquerda fundo) e Mesquita de Al-Aqsa (direita fundo)

Entre 1948 e 1963, Jerusalém estava politicamente dividida, estando a Esplanada das Mesquitas e o Muro das Lamentações sob domínio da Jordânia, o que impedia o acesso do Muro pelos judeus. Porém, a toda a Cidade Antiga de Jerusalém foi recapturada por Israel na Guerra dos Seis Dias, e a entrada ao Muro, novamente liberada aos judeus (a Esplanada das Mesquitas continua inacessível a eles, sob domínio muçulmano).

Orações no Muro das Lamentações

O Muro é local para rezar, é o espaço de reunião no Shabat e o onde se precede à introdução de adolescentes na lei dos judeus. Ele é dividido em duas “seções” – uma masculina e outra feminina, para onde os judeus se dirigem para fazerem suas orações. É comum deixar papeizinhos entre as pedras, com pedidos anotados. Também há o interessante hábito de, na hora de ir embora do Muro, não se virar e dar as costas para ele, por questão de respeito. Então não estranhe se encontrar pessoas andando de ré para sair do muro!

Seção masculina – Muro das Lamentações

Seção feminina – Muro das Lamentações

Mulher lendo bíblia hebraica – Muro das Lamentações

Para visitar o Muro das Lamentações, há necessidade de testes de detectores de metais e revistas. Mulheres: não se esqueçam de levar um lenço para cobrir os ombros, caso esteja vestindo blusinhas regatas/alças que deixem o ombro à mostra (o que você provavelmente vai vestir muito se for no verão, acredite!) e vistam calças/bermudas abaixo do joelho. Homens: levem um boné/chapéu para cobrir a cabeça. Eles são bem rigorosos quanto a isso.

Eu lembrei do lenço! – Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

meninos judeus – Muro das Lamentações

meninos judeus – Muro das Lamentações

meninos judeus – Muro das Lamentações

se você se apertar, não se preocupe: tem banheiro por lá!

meninas judias – Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

E aí, curtiu? Nós próximos posts continuarei com a sequência dos pontos imperdíveis de Israel. Até lá!

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Jerusalém #01: Cidade Antiga – uma visão geral

De volta ao Brasil e com uma coleção de nada menos que 2000 fotos, irei fazer aqui um guia de informações dos principais lugares que passei. Começarei a série por Israel, mais especificamente, Jerusalém.

Jerusalém é considerada a capital religiosa de Israel (a capital política e oficial é Tel Aviv) e é uma das cidades mais antigas do mundo: sua história data do século V a.C.. A cidade é de grande importância para três grupos religiosos: judeus (era a capital do reino de Judá e abriga as ruínas do Templo de Salomão), cristãos (onde Jesus realizou a Última Ceia,  foi crucificado e ressuscitou) e muçulmanos (lugar onde Maomé ascendeu ao Céu).

Atualmente, a Jerusalém moderna é composta a partir da Cidade Antiga e seus arredores posteriores. A Cidade Antiga possui muralhas, derrubadas e reconstruídas por diversas vezes ao longo da história. Apesar de sua pequena área de 0,9 km², ela está dividida em 4 partes: o Quarteirão Judeu, o Quarteirão Muçulmano, o Quarteirão Cristão e o Quarteirão Armeno.

Quarteirões da Jerusalém Antiga

Quarteirões da Jerusalém Antiga

A Cidade Antiga pode ser acessada através de seus Portões. No Quarteirão Muçulmano se localizam o Portão de Damasco (fazendo divisão com o Quarteirão Cristão), o Portão de Herodes, Portão Dourado e o Portão dos Leões. No Quarteirão Cristão, o Portão Novo e o Portão de Jaffa. No Quarteirão Judeu se encontra o Portão do Esterco e no Quarteirão Armeno, o  Portão de Sion.

Portão dos Leões

Portão dos Leões

Portão de Damasco

Portão de Damasco

A Cidade Antiga é cheia de ruelas estreitas e você passa facilmente de um bairro ao outro – provavelmente você só perceberá algum tempo depois, devido à mudança do ambiente. Algumas áreas, principalmente ao redor da Mesquita de Al-Alqsa, são restritas e controladas por oficiais, especialmente durante o Shabat, período sagrado judeu dedicado ao descanso onde as atividades da cidade são suspensas das 15h da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado, e que coincide com a sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. Cerca de meia-hora antes do Shabat, já é possível perceber um grande esvaziamento de pessoas na Cidade, pois muitos comércios já começam a ser fechados.

Na Cidade Antiga estão localizados diversos pontos de interesse como: o Muro das Lamentações, o mercado árabe, a Tumba do Rei David, o Domo da Rocha, a Mesquita de Al-Aqsa e a Via Dolorosa. Cada um desses pontos será explorado nos próximos posts do Viver é uma Viagem. Fique ligado aqui e, como aperitivo, confira algumas fotos abaixo!

Escrito árabe na Cidade Antiga

Escrito árabe na Cidade Antiga

Vista da Cidade Antiga

Vista da Cidade Antiga

Cidade Antiga

Cidade Antiga

Cidade Antiga - Quarteirão Judeu

Cidade Antiga – Quarteirão Judeu

Cidade Antiga - Quarteirão Muçulmano

Cidade Antiga – Quarteirão Muçulmano

Mesquita e Muro das Lamentações

 Muro das Lamentações e Domo da Rocha

Cidade Antiga

Cidade Antiga

Mercado Árabe - Quarteirão Árabe

Mercado Árabe – Quarteirão Árabe

Ruínas - Cidade Antiga

Ruínas – Cidade Antiga

Ruínas - Cidade Antiga

Ruínas – Cidade Antiga

Restaurante árabe - Quarteirão Árabe

Restaurante árabe – Quarteirão Árabe

Judeus na Cidade Velha

Judeus na Cidade Velha

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