Avião – o mal necessário

Meus sentimentos em relação a avião sempre foram um paradoxo. Se por um lado não tem nada mais gostoso que estar sentando na sua poltroninha, com uma manta quentinha, comendo aquela comida industrialmente deliciosa (não é ironia, eu adoro!), a menor trepidação pode fazer até os mais adeptos da adrenalina suarem frio.

Confesso que sempre tenho um pé atrás pra viajar de avião. Não sou do tipo que precisa encher a cara e ir desmaiada ou que tenha ataques de pânico de arrancar os cabelos. Simplesmente me sinto à mercê das circunstâncias, do vento, do possível erro de alguém ou do azar mesmo. E aposto que não sou a única pessoa que se sente assim.

Em maior ou menor escala, ninguém se sente totalmente seguro dentro de um avião. Mas grande, eu diria até a maior, parte da insegurança vem de dentro das nossas cabeças. Acidentes aéreos são extremamente raros. Proporcionalmente, muito menores que os rodoviários. É claro que quando estamos voando, não pensamos em estatísticas. Pensamos apenas que estamos vulneráveis e é isso que nos assusta: a falta de controle total da situação.

Por isso, encaro avião com um mal necessário. Primeiramente porque é inviável por questões de tempo e de dinheiro, viajar a um lugar muito distante por outros meios de transporte como carro, ônibus ou navio (a não ser que você seja um milionário que não tem mais onde torrar o tempo e dinheiro, o que realmente não é meu caso). Segundo, porque depois que você entra no clima, é até possível esquecer o medo (pelo menos até o momento de uma possível turbulência). O segredo é não dar asas à imaginação.

De qualquer modo, meu voo Rio-Amsterdam foi relativamente tranquilo. Está certo que houve uns bons 30 minutos de turbulência após o avião passar o nordeste do Brasil em direção ao mar (depois, já em terra, ficaria sabendo que foi nessa área de instabilidade é que ocorreu o acidente com o voo da Air France há alguns anos atrás). Tentei dormir, mas em vão. Dificilmente durmo em avião. Quase tomei um banho de Heineken do meu irmão, isso seria o fim. E aparentemente a aeromoça quis se vingar por mim pois por pouco quase derrubou uma bandeja cheia de coisas nele. Mas tudo que interessa é o melhor momento quando o avião põe as rodinhas no chão. É tão gostoso. Cheguei. Todo mundo aplaudiu. E eu também. Viva Amsterdam.

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Categorias: Aventuras | Deixe um comentário

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